Chá Verde

Em 16/06/2013, publicado em: Blog Pharmactiva por

Uma substância encontrada no chá verde foi o caminho para o desenvolvimento de um composto eficaz para combater a erosão dentária. Na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da USP, a professora Marília Buzalaf, do Departamento de Ciências Biológicas da FOB, em conjunto com outros pesquisadores, realizou alguns testes que demonstram a eficácia da catequina (nutriente de ação antioxidante encontrada no chá verde) como inibidora das metaloproteinases da matriz (MMP). Essas enzimas, quando ativadas, são responsáveis pela erosão da dentina, a camada mais interna do dente.

Uma das substâncias testadas pelos pesquisadores como inibidores da MMP é a epigalocatequina galate (EGCG), um flavonóide (grupo de compostos orgânicos encontrados em diversas espécies vegetais e em alimentos processados como o chá) que também é encontrado no chá verde.

O grupo responsável pela pesquisa produziu géis à base de inibidores de enzimas como a epigalocatequina galate, encontrada no chá verde, a clorexidina e o sulfato ferroso. Os géis foram aplicados sobre a dentina, posteriormente exposta à substâncias ácidas, como refrigerantes. Enquanto o bochecho com o chá inibiu 30% da corrosão, a utilização do gel, de todos os inibidores, garantiu 100% de inibição em uma única aplicação.

Os géis foram patenteados pela Agência USP de Inovação, e já foi dada a entrada do pedido de licenciamento que viabiliza a sua comercialização. A ideia é que pacientes com o problema possam ir até o consultório odontológico receber a aplicação profissional do gel desenvolvido na FOB.

O próximo passo é um estudo de maior duração que avalie os efeitos a longo prazo do gel e descubra de quanto em quanto tempo é necessário uma nova aplicação.

Fonte: USP

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Vinho tinto estimula enzima antienvelhecimento

Um ingrediente do vinho tinto estimula uma enzima que retarda o envelhecimento das células e que poderia prevenir doenças geriátricas como o Alzheimer. Um experimento da Universidade de Harvard confirmou a crença científica de que as enzimas celulares estudadas, as sirtuinas, são reguladoras universais do envelhecimento de todos os organismos vivos, e por isso são muito interessantes para o tratamento da passagem dos anos.

“As sirtuinas operam como guardiães das células”, disse o cientista David Sinclair, da Faculdade de Medicina de Harvard, que liderou o trabalho publicado na revista Nature. “Estas enzimas permitem que as células sobrevivam ao dano e retardam a morte das células”, disse.

O estudo culmina, por enquanto, três anos de estudos e descobertas sobre as sirtuinas, em uma classe de enzimas presente virtualmente em todo organismo desde as bactérias até as plantas e os humanos. Todas as enzimas têm a função de promover reações bioquímicas essenciais dentro das células.

Inicialmente os cientistas pensaram que as sirtuinas trabalhavam, principalmente tirando moléculas chave das proteínas que rodeiam o DNA (ácido desoxirribonucleico) como parte do processo pelo qual as células ativam e desativam seus genes. Mas recentemente os cientistas notaram que as sirtuinas também são parte de um sistema de retroalimentação que realça a sobrevivência das células em tempos de stress, especialmente se este for devido à falta de alimentação.

Os experimentos aumentaram significativamente os períodos de vida em células de fermento e humanas nos laboratórios, e estendeu as vidas de moscas e vermes, organismos que em nível da biologia molecular envelhecem tanto como os humanos.

De todos os compostos experimentados pelos cientistas, o que mais estimulou a enzima foi o resveratrol, uma substância abundante na pele da uva preta e também entre os álcoois do vinho tinto.

Segundo outro estudo publicado por Philippe Jeandet e Roger Bessis da Universidade da Borgonha (França) o resveratrol é um composto fenólico produzido pela videira em resposta a uma infecção de “podridão cinzenta” (botrytis). Esta molécula é conhecida por suas propriedades terapêuticas.

Borgonha, em cuja Universidade foi estudado o resveratrol, é junto com Bordeaux e Champagne, uma das regiões produtoras de grandes vinhos na França. “É o constituinte ativo dos extratos da raiz de uma planta (Polygonum cuspidatum) utilizada na medicina tradicional chinesa e japonesa para o tratamento da arterioesclerose e das doenças inflamatórias e alérgicas”, segundo o estudo francês.

Os conteúdos em resveratrol do vinho são volúveis segundo os vinhedos e as regiões de produção e sabe-se que estão relacionados com o estímulo das reações de defesa da videira em resposta a uma infecção parasitária. Também foi creditado ao resveratrol uma diminuição do risco de doenças cardíacas.

Sinclair disse que, sobre a base das descobertas, agora continua a busca dos compostos que estimulam mais as sirtuinas, e a produção de compostos sintéticos, para experimentá-los na extensão da vida não só de moscas e vermes, mas também de humanos e macacos. Mas Jef Boeke, um especialista em genética de fermentos que trabalha na Faculdade de Medicina da Universidade John Hopkins, se mostrou cauteloso e disse que “o envelhecimento não é o mesmo em humanos e em fermentos”. “As sirtuinas são moléculas potentes e quando alguém as estimula teria que ter muito cuidado sobre os efeitos secundários potenciais”, acrescentou.

Fonte: http://noticias.terra.com.br

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Pacientes com HDL, bom colesterol, acima de 55 mg/dl (níveis ideais), independentemente do nível de LDL, mau colesterol, têm 25% menor chance de sofrer infarto do coração ou morrer por causa coronária do que os que têm HDL-c abaixo de 38 mg/dl. Esse é um dos principais resultados de recente estudo publicado na conceituada revista New England Journal of Medicine. Chamado Treating to New Targets-TNT, o estudo envolveu 10 mil pacientes e foi desenvolvido, durante cinco anos, por vários centros clínicos norte-americanos, europeus e australianos, com apresentação no Congresso do DALM (Drugs Affecting Lipid Metabolism), em Nova Iorque, em outubro de 2007.
O risco de problemas cardiovasculares é 40% menor nos grupos de pacientes com HDL-c (acima de 50 mg/dL na mulher e 40 mg/dL no homem), do que nos grupos com níveis mais baixos de HDL-c. No estudo, os pesquisadores separaram os pacientes em grupos baseados em seus níveis de HDL-c, uma vez que o risco aumenta à medida que o HDL cai. No grupo com 473 pacientes com HDL-c na média de 37 mg/dL (bem abaixo do nível ideal), 12% apresentaram alguma complicação cardiovascular. No entanto, no grupo de 569 pacientes com HDL-c entre 47 e 55 mg/dL (nível ideal), os problemas do coração caíram para 5%.
O estudo revela, ainda, que o HDL-c é um significativo indicador de risco de grandes complicações cardiovasculares em todos os grupos de pacientes, mesmo após consideradas outras condições que podem influenciar o risco de complicações cardiovasculares, como idade, sexo, pressão alta, diabetes, tabagismo e nível de LDL-c (abaixo de 70 mg/dL).
“Mesmo quando o LDL-c já era muito baixo, os efeitos da aterosclerose continuavam a ocorrer em maior intensidade quando o HDL estava abaixo de 38 mg/dL”, conta o médico cardiologista Jairo Lino tratamento de combate à arterosclerose foi intensificado em função do HDL estar abaixo de 38 mg/dL”, conta o médico cardiologista Jairo Lins Borges, do Instituto Dante Pazzanese (SP). “Isso demonstra que o HDL define risco de forma independente e sugere fortemente que ele deve ser tratado para que se amplie à proteção ao paciente”, completa o especialista.
Ao comentar os resultados do estudo para Heartwire, seção de site médico denominado The Heart (www.theheart.org), o Dr. Monty Krieger, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Cambridge, disse que esse é mais um estudo que mostra o quanto o HDL-c protege a saúde, em diferentes níveis de LDL, e reforça o conceito de que fazer algo para tratar baixos níveis de HDL-c só pode ser benéfico.
“Felizmente, já avançamos muito em medicamentos que controlam o colesterol. Uma modalidade de tratamento bastante eficaz costuma incluir as estatinas e associar a niacina, que diminui adicionalmente os níveis de LDL em até 15%, aumenta os níveis do HDL em 30% e reduz os triglicérides em até 50%”, diz Borges.

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Estudo publicado no Journal of Nutrition, no mês de outubro, mostrou que o consumo de proteína de soja pode atuar na redução do o risco de câncer de próstata. É o primeiro estudo que investiga os efeitos do consumo da proteína de soja no metabolismo do estrógeno e câncer de próstata em homens.
No estudo randomizado, 58 homens, entre 50 e 85 anos, com risco de desenvolver câncer de próstata avançado ou já diagnosticados com câncer de próstata, participaram da pesquisa. Separados em três grupos, cada um deles ingeriu, por seis meses, três tipos de proteínas respectivamente: proteína isolada de soja rica em isoflavona, proteína isolada de soja com baixo nível de isoflavona e proteína do leite.
Na conclusão, a publicação científica salienta que as observações apontadas no estudo sugerem que a redução do risco de câncer de próstata pode estar relacionada com o consumo de proteína de soja, principalmente àquela rica em isoflavonas, e a síntese do estrógeno endógeno no metabolismo.
“O objetivo do estudo foi avaliar o efeito do consumo de proteína isolada de soja na eliminação de estrógeno metabólico na urina de homens com alto risco de desenvolver câncer de próstata”, disse Mindy Kruzer, autora principal do estudo e professora do Departamento de Ciência do Alimento e Nutrição da Universidade de Minnesota.
“Depois da biópsia do tecido, receptores andrógenos foram reduzidos na próstata, que representa uma redução do risco de câncer de próstata. Além disso, um número significativamente menor de evolução de câncer de próstata foi observado em homens que consumiram proteína isolada no período de seis meses. Estamos entusiasmados com os resultados, mas outros estudos deverão ser realizados”, complementou.
“Os resultados deste estudo podem ser benéficos para homens que estão em risco de desenvolverem câncer de próstata”, disse Dra. Kathryn Greaves, líder do grupo de nutrição clínica da Solae. “Se os resultados deste estudo forem replicados nos próximos, a redução do risco de câncer de próstata pode ser outra razão para se incluir soja na dieta diária”, finaliza. A soja tem sido documentada por melhorar potencialmente a saúde cardiovascular, ajudar no desempenho esportivo e administração do peso.
No Brasil
Seguindo as estimativa do INCa – Instituto Nacional do Câncer, mais de 40 mil novos casos de câncer de próstata foram apontados. Ainda de acordo com o INCa, o câncer de próstata é o mais freqüente em todas as regiões brasileiras
entre o total de tumores, exceto pele não-melanoma. “Os números da doença são alarmantes. Ainda não podemos falar de cura para este tipo de câncer, mas temos validação científica para incluir a proteína isolada da soja no nosso arsenal terapêutico”, afirma o nutrólogo e também cardiologista do IMeN – Instituto de Metabolismo e Nutrição, Daniel Magnoni.
“A soja permite uma grande variação de alimentos aliando saudabilidade e redução do risco de doenças. Considerada alimento-chave para os brasileiros, pesquisas como esta publicada no Journal of Nutrition têm demonstrado que a soja e suas diversas propriedades atuam positivamente no metabolismo humano”, complementa. “Hoje em dia, quando pensamos em soja e nutrição preventiva às doenças devemos esquecer o grão como alimento, devemos pensar nos subprodutos da soja, como as isoflavonas, a fibra, lecitina e colina”, acrescenta. “De acordo com outras pesquisas, a colina, um nutriente essencial presente na lecitina de soja auxilia no desenvolvimento de funções essenciais como a memória. Além disso, a proteína isolada do grão, ajuda a reduzir os níveis de colesterol total e LDL, e os níveis de homocisteína no sangue – que podem estar associados a danos nas artérias e assim manter o coração saudável”, explica Magnoni. Sobre a The Solae Company
Há mais de 30 anos, a The Solae Company, uma joint-venture entre DuPont Protein Technologies e Bunge Limited, realiza pesquisas para entender melhor os reais benefícios da proteína de soja à saúde. Os principais assuntos estudados pela The Solae Company são saúde cardíaca, nutrição esportiva e controle de peso. Há muitos anos, pesquisadores de mais de 180 universidades e instituições de pesquisa utilizam produtos à base de proteína de soja da The Solae Company em centenas de estudos.

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Pela primeira vez em praticamente 50 anos, o índice médio de colesterol nos adultos norte-americanos está no nível ideal, segundo um relatório do governo do país divulgado nesta quarta-feira.
Resultados de uma pesquisa nacional, que inclui exames de sangue, revelaram que o nível de colesterol dos habitantes do país caiu para 199. Médicos indicam que o ideal é que esse índice seja de 200 ou menos.
Em 1999-2000, esse índice médio era de 204. Quando a pesquisa começou a ser feita, em 1960, esse nível estava em 222.
O uso de medicamentos por pessoas de mais de 60 anos deve ser a maior razão para essa melhora, segundo especialistas. “Esses grupos etários são os que mais passam por tratamento por medicação”, afirma Susan Schober, do Centro Norte-americano para Controle de Doenças e Prevenção e líder do estudo (CDC, na sigla em inglês).
A pesquisa analisa dados coletados em intervalos de dois anos. Os resultados divulgados hoje são baseados na mostra nacional de 2005 e 2006, coletada de 4.500 pessoas de 20 anos de idade ou mais.
O colesterol alto é comumente relacionado à obesidade. Entretanto, os pesquisadores descobriram que esses dois índices tem caminhado em direções opostas.
Por meio de dados da pesquisa sobre colesterol, o CDC informou no mês passado que o índice de obesidade adulta –que vem em crescimento nos últimos 25 anos– está agora muito longe dos 34%, que são o ideal.
Essa disparidade deve-se principalmente ao uso de medicamentos que reduzem o

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Auriculoterapia

Em 21/03/2012, publicado em: Auriculoterapia por

A auriculoterapia ou auriculoacupuntura é uma técnica terapêutica que considera a orelha como um microssistema, representando todo o corpo e suas estruturas. Esta técnica utiliza a estimulação de pontos da orelha por onde circulam numerosos nervos, que recebem e emitem informação sensorial. Ao estimular um ponto específico, reflexamente estará sendo estimulado o órgão correspondente, permitindo a regularização e o reequilíbrio do corpo ou das funções alteradas.

A indicação da auriculoterapia é muito ampla, podendo ser usada para o tratamento de cerca de 200 enfermidades, entre as quais estão as de caráter funcional, neurótico e psicótico (insônia, depressão, ansiedade, cefaléias etc.), males de caráter estrutural (dor lombar, dores nas pernas, torcicolo, artrite, artrose etc.), doenças cardiovasculares, do aparelho urinário, alérgicas, e ainda obesidade e dependências como alcoolismo, drogas e tabagismo.
Seja qual for o problema, a principal indicação é quando há necessidade de o paciente levar o tratamento para casa. Na auriculoterapia são usadas pequenas agulhas semipermanentes ou pequenas sementes, que ficam aderidas à pele da orelha por esparadrapo micropore e permanecem assim estimulando os pontos por vários dias.
As sessões costumam ser repetidas a cada sete ou dez dias, conforme a necessidade e a patologia que está sendo tratada. A auriculoterapia é compatível com todas as demais formas de tratamento, podendo ser usada como terapia complementar aos tratamentos convencionais ou de forma isolada. Além da sua eficiência, esta técnica é vantajosa por ser rápida, relativamente simples e sem efeitos colaterais.
Vanessa Horevicht, fisioterapeuta e auriculoterapeuta

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A endometriose é uma doença comum entre as mulheres, e principalmente debilitante e dolorida. Na América do Norte, mais de cinco milhões de mulheres entre oito e 80 anos sofrem de endometriose crônica e sem cura real. No Brasil, dados da Associação Paulista de Medicina apontam que a doença atinge seis milhões de mulheres, sendo que nos últimos seis anos houve um aumento de 64,8% de casos detectados, causando impacto direto sobre a gestação. A doença é um dos motivos que dificultam a gravidez, levando a paciente a um sofrimento bastante acentuado quando não recorre a um especialista em medicina reprodutiva. Trata-se de uma doença caracterizada pela presença do tecido que reveste o útero (endométrio) em outras partes do corpo. Em parte, isso se dá porque hoje em dia a mulher menstrua muito mais do que a geração de nossas mães e avós, que tiveram maior número de filhos.
Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores serão as chances de controle da doença – o que aumentará também as possibilidades de a paciente engravidar. Além do exame de toque, o diagnóstico é obtido pela história clínica da paciente, dos resultados de ultra-som, ressonância magnética e outros exames laboratoriais. Para quem sofre de endometriose e pretende engravidar, o tratamento pode incluir cirurgia e tratamento hormonal. Uma das melhores alternativas, neste caso, é a mulher optar pela fertilização in vitro (FIV), já que a presença de endometriose não
chega a afetar as taxas de gravidez quando este método é escolhido.

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Uma nova pesquisa, apresentada no encontro anual da ACNP (sigla em inglês para colégio americano de neurofarmacologia) na última semana, mostrou que adotar um padrão regular de sono (foto) e criar uma rotina para as atividades diárias pode ser benéfico para quem tem transtorno bipolar -uma desordem psíquica associada a mudanças bruscas de humor. De acordo com os pesquisadores, enquanto as pessoas sem a desordem se recuperam facilmente após uma noite mal dormida, por exemplo, os portadores do transtorno seriam mais vulneráveis a esse tipo de alteração.
Isso porque o distúrbio parece ser altamente influenciado pelo ritmo circadiano -o “relógio biológico”, que regula o horário da fome e do sono, por exemplo- e mudanças nesse ciclo poderiam agravar os sintomas. Ellen Frank, professora de psicologia e psiquiatria na escola de medicina da Universidade de Pittsburg (EUA), avaliou 175 adultos com transtorno bipolar. Além de tomar remédios, eles foram submetidos a dois tipos de tratamento: o primeira era uma terapia voltada para o restabelecimento do ritmo circadiano, em que os pacientes monitoravam a regularidade de suas atividades diárias; o segundo era um acompanhamento clínico com foco no gerenciamento das alterações de humor e dos efeitos colaterais da medicação.
O estudo constatou que os pacientes que participaram da terapia para ajustar seus “relógios biológicos” ficaram mais tempo sem novos episódios de depressão e de mania. Em outro estudo apresentado no mesmo encontro, pesquisadores do Southwest Medical Center, da Universidade do Texas, constataram que os genes que controlam o ritmo circadiano em camundongos também regulam a atividade cerebral ligada à dopamina -um neurotransmissor relacionado à motivação e à emoção. Nos camundongos em que esses genes sofriam alterações, os pesquisadores observaram um comportamento parecido ao da fase da mania no transtorno bipolar.

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Sistema imunológico ataca juntas, causando dor em decorrência da destruição das cartilagens.

O valor dos novos medicamentos também é uma preocupação. “Eles ainda são muito caros. O infliximabe é mais palpável por ser distribuído pelo Ministério da Saúde, mas existem os que custam até R$ 30 mil.” Além do atendimento médico, é extremamente importante para a reabilitação de quem tem artrite reumatóide o auxílio de fisioterapia, terapia ocupacional, ortopedia e psicologia, que investem na qualidade de vida do paciente. Até mesmo tratamentos alternativos, como acupuntura e homeopatia, especialmente cápsulas de arnica, que atuam como antiinflamatório, vêm ganhando espaço.
A fisioterapeuta Fabrícia Mendes e Silva Narciso explica que a especialidade pode ajudar tanto o paciente que apresenta um processo inflamatório na fase aguda,
quanto aquele em que o processo não ocorreu. “No primeiro caso, a fisioterapia alivia a dor, por meio de recursos elétricos que auxiliam na fase de dores e edemas. No segundo, trabalha-se com atividades físicas, para ajudar na flexibilidade, no fortalecimento muscular e para minimizar a perda do tônus”.

Radiografia de paciente mostra deformidade dos dedos devido à inflamação crônica.

Já a terapia ocupacional procura facilitar a vida de quem apresenta dificuldades em ações do dia-a-dia. A terapeuta ocupacional Christiane Vilela Gonçalves explica que as órteses, dispositivos que auxiliam a função, são fundamentais nesses momentos. “Fazemos adaptação de mobiliários e montamos aparelhos nas mãos de cada paciente, para melhor posicionamento. Tentamos reproduzir ações que fazem parte do seu cotidiano, como digitação ou bordado, para identificarmos qual musculatura precisa ser melhor trabalhada.”
Christiane afirma que o tratamento é bastante individualizado e que uma avaliação criteriosa do paciente deve ser feita sempre. “A hidroterapia, por exemplo, oferece excelentes resultados, porque a água morna traz conforto, aumenta a irrigação sangüínea e possibilita a realizar trabalhos que, fora dela, não seriam possíveis. Porém, tem que haver todo um cuidado, porque a água quente pode provocar ou piorar edemas”, diz.
Para o professor-adjunto de reumatologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Geraldo da Rocha Castelar Pinheiro, tudo isso é muito importante, mas os resultados satisfatórios dependem também de um diagnóstico precoce. “As pessoas ainda demoram a procurar um médico. Quando procuram, vão ao ortopedista, que é um cirurgião e cuida de traumas. Se há dor sem motivos aparentes, como uma queda, o melhor é procurar um reumatologista”.
A repórter viajou a convite do Laboratório Roche.
Saiba mais
• Doença auto-imune inflamatória crônica, na qual o sistema imunológico ataca as juntas, causando inflamação e dor por destruição das cartilagens, prejudicando a função e limitando os movimentos. No Brasil, estima-se que 1 milhão de pessoas tenham artrite reumatóide.
• Surge geralmente depois dos 15 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. É de três a cinco vezes mais comum em mulheres do que em homens, na faixa dos 30 aos 50 anos. Fumantes são quatro vezes mais propensos a desenvolver a doença.
• Os sintomas iniciais são inchaço, dor e rigidez nas juntas, principalmente nas mãos, e fadiga. Em um estágio mais avançado, pode acometer vasos sangüíneos, pele e pulmões. Em geral, o paciente sente como se estivesse enferrujado ao acordar pela manhã, sensação que pode durar mais de uma hora. Pode afetar também tornozelos, joelhos, quadril, pescoço, ombros e cotovelos.

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Inflamação nas articulações

Em 21/03/2012, publicado em: Artrite por

Terapias biológicas têm sido eficientes no tratamento da artrite reumatóide, doença que afeta mais mulheres que homens.

Carolina Lenoir, de São Paulo

Nos últimos anos, as doenças reumáticas tornaram-se alvo de estudos e campanhas de conscientização em todo o mundo. A Organização Mundial de
Saúde (OMS), por exemplo, escolheu o período de 2000 a 2010 como a “década do osso e da articulação”, uma forma de divulgar as doenças músculo-esqueléticas. Além disso, o acompanhamento multidisciplinar tem sido cada vez mais reconhecido na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Nesse contexto, destaca-se também o desenvolvimento de novos medicamentos, que buscam atender uma parcela da população que não encontra resposta em tratamentos tradicionais. A artrite reumatóide, enfermidade inflamatória que acomete as articulações, causando dor e deformidades, é uma das doenças que recebem atenção de laboratórios e centros de referência. Exemplo disso é o estudo com pacientes de vários países, inclusive 260 brasileiros, sobre a ação do tocilizumabe (TCZ), uma substância que bloqueia o receptor da interleucina 6 (IL-6), que, quando produzida em excesso, é responsável pela inflamação das articulações. Os resultados mostram que a taxa de pacientes com melhora de 50% nos sinais e sintomas foi quatro vezes maior no grupo que recebeu TCZ associado à terapia-padrão, em comparação ao grupo que recebeu apenas o tratamento tradicional.
De acordo com a reumatologista Andrea Rubbert-Roth, da Universidade de Colônia, na Alemanha, a vantagem esperada das terapias biológicas, das quais o tocilizumabe faz parte, é possibilitar percentuais relevantes de remissão da doença. Dessa forma, mesmo que não esteja curado, pois não existe medicamento que permita 100% de remissão, o paciente pode retomar atividades que antes estavam comprometidas.
“Os tratamentos anteriores, à base de analgésicos e antiinflamatórios, aliviam a dor, mas não fazem nada para impedir a continuidade da doença e das deformidades“, explica Andrea, frisando que o estudo foi realizado com pacientes que já tinham sido tratados com a terapia tradicional e não tiveram sucesso. Houve também melhora em sintomas como anemia e fadiga e, entre os efeitos colaterais, registrou-se dor de cabeça e aumento de enzimas no fígado e de infecções, mas que, de acordo com a médica, não comprometem o tratamento. A expectativa é de que os resultados do estudo sejam avaliados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2008 e que o medicamento seja aprovado e comercializado em meados de 2009. CAUTELA A reumatologista do Hospital das Clínicas da UFMG Gilda Aparecida Ferreira recomenda, porém, cautela. De acordo com ela, o momento é bom, porque a oferta de medicamentos para tratamento de artrite e outras doenças reumáticas era pouca, mas há considerações a serem feitas. Cerca de 80% dos pacientes já têm resultados com a terapia-padrão.
Dos 20% restantes, que não respondiam a esse tratamento, 15% passaram a ser atendidos com medicamentos mais poderosos, os inibidores de TNF (infliximabe, adalimumabe e rituximabe). “Portanto, são 5% os refratários que se pretende
atingir com essas novas opções, como o tocilizumabe, mas ainda é uma promessa, uma esperança que está sendo avaliada”, alerta.

“Os tratamentos anteriores, à base de analgésicos e antiinflamatórios, aliviam a dor, mas não fazem nada para impedir a continuidade da doença e das deformidades”.

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