Inflamação nas articulações

Em 21/03/2012, publicado em: Artrite por

Terapias biológicas têm sido eficientes no tratamento da artrite reumatóide, doença que afeta mais mulheres que homens.

Carolina Lenoir, de São Paulo

Nos últimos anos, as doenças reumáticas tornaram-se alvo de estudos e campanhas de conscientização em todo o mundo. A Organização Mundial de
Saúde (OMS), por exemplo, escolheu o período de 2000 a 2010 como a “década do osso e da articulação”, uma forma de divulgar as doenças músculo-esqueléticas. Além disso, o acompanhamento multidisciplinar tem sido cada vez mais reconhecido na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Nesse contexto, destaca-se também o desenvolvimento de novos medicamentos, que buscam atender uma parcela da população que não encontra resposta em tratamentos tradicionais. A artrite reumatóide, enfermidade inflamatória que acomete as articulações, causando dor e deformidades, é uma das doenças que recebem atenção de laboratórios e centros de referência. Exemplo disso é o estudo com pacientes de vários países, inclusive 260 brasileiros, sobre a ação do tocilizumabe (TCZ), uma substância que bloqueia o receptor da interleucina 6 (IL-6), que, quando produzida em excesso, é responsável pela inflamação das articulações. Os resultados mostram que a taxa de pacientes com melhora de 50% nos sinais e sintomas foi quatro vezes maior no grupo que recebeu TCZ associado à terapia-padrão, em comparação ao grupo que recebeu apenas o tratamento tradicional.
De acordo com a reumatologista Andrea Rubbert-Roth, da Universidade de Colônia, na Alemanha, a vantagem esperada das terapias biológicas, das quais o tocilizumabe faz parte, é possibilitar percentuais relevantes de remissão da doença. Dessa forma, mesmo que não esteja curado, pois não existe medicamento que permita 100% de remissão, o paciente pode retomar atividades que antes estavam comprometidas.
“Os tratamentos anteriores, à base de analgésicos e antiinflamatórios, aliviam a dor, mas não fazem nada para impedir a continuidade da doença e das deformidades“, explica Andrea, frisando que o estudo foi realizado com pacientes que já tinham sido tratados com a terapia tradicional e não tiveram sucesso. Houve também melhora em sintomas como anemia e fadiga e, entre os efeitos colaterais, registrou-se dor de cabeça e aumento de enzimas no fígado e de infecções, mas que, de acordo com a médica, não comprometem o tratamento. A expectativa é de que os resultados do estudo sejam avaliados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2008 e que o medicamento seja aprovado e comercializado em meados de 2009. CAUTELA A reumatologista do Hospital das Clínicas da UFMG Gilda Aparecida Ferreira recomenda, porém, cautela. De acordo com ela, o momento é bom, porque a oferta de medicamentos para tratamento de artrite e outras doenças reumáticas era pouca, mas há considerações a serem feitas. Cerca de 80% dos pacientes já têm resultados com a terapia-padrão.
Dos 20% restantes, que não respondiam a esse tratamento, 15% passaram a ser atendidos com medicamentos mais poderosos, os inibidores de TNF (infliximabe, adalimumabe e rituximabe). “Portanto, são 5% os refratários que se pretende
atingir com essas novas opções, como o tocilizumabe, mas ainda é uma promessa, uma esperança que está sendo avaliada”, alerta.

“Os tratamentos anteriores, à base de analgésicos e antiinflamatórios, aliviam a dor, mas não fazem nada para impedir a continuidade da doença e das deformidades”.

leia mais