Diabetes gestacional

Em 17/03/2012, publicado em: Bem Viver por

Acompanhamento deve contar com equipe multidisciplinar.

Ellen Cristie

Alimentação saudável e prática de atividades físicas. Essa é a melhor forma de prevenir-se contra a diabetes mellitus gestacional (DMG), problema caracterizado pela alteração no metabolismo da glicose e que, se não for tratado adequadamente, pode afetar a saúde do bebê e da mãe.
A gravidez associada ao DMG é considerada uma gestação de risco e deve ser monitorada de forma mais intensiva. Além do acompanhamento do obstetra, um endocrinologiasta também deve examinar a pacient, sempre trabalhando em equipe. As consultas de pré-natal são realizadas em intervalos de tempo mais curtos e o monitoramento é feito a partir de exames específicos. Em alguns casos,
é necessário uma orientação alimentar recomendada por um nutricionista. Segundo Paulo Augusto Carvalho de Miranda, coordenador do pré-natal de alto risco endocrinológico da Santa Casa de Belo Horizonte, as principais vítimas da doença são mulheres acima de 25 anos, obesas ou com sobrepeso e com histórico familiar de diabetes. “O ganho excessivo de peso durante a gestação ou a síndrome do ovário policístico são outros fatores que aumentam o risco de DMG. A boa notícia é que apenas 5% das mulheres que desenvolvem diabetes gestacional continuam diabéticas depois do parto. “No entanto, sabemos que a longo prazo, até 50% delas podem se tornar diabéticas”, lembra.
Entre os fatores predisponentes, aspectos genéticos e ambientais devem ser levados em consideração.
Grávidas com histórico familiar de diabetes tipo 2 têm mais chances de desenvolver o distúrbio. Com relação aos fatores ambientais, o excesso de açúcar e o sedentarismo são importantes.
Caso não seja diagnosticado, o distúrbio pode levar à macrossomia fetal, com o bebê nascendo com peso superior a quatro quilos e meio. “Como ele é filho de uma paciente com diabetes, conseqüentemente, poderá desenvolver o mesmo problema”, explica Paulo de Miranda.
SINTOMAS A administradora de empresas Luciana Guimarães de Morais, de 36 anos, descobriu que estava com diabetes gestacional no início do sétimo mês. “Notei que tinha uma sede excessiva e urinava muitas vezes durante o dia, embora eu saiba que a grávida faz muito xixi mesmo”, comenta.
Ao fazer os exames, Luciana descobriu que estava com um nível de 168 miligramas por decilitro e, seguindo orientação médica, começou a fazer dieta. “O controle alimentar é rígido. Cortei todo tipo de doce e açúcar. Optei por legumes, frutas, leite desnatado, arroz integral, ovo somente duas vezes por semana e crustáceos a cada 15 dias, entre outras coisas. Agora, Luciana espera a chegada de Manuella, prevista para este mês.

Toda alteração no metabolismo da glicose iniciada ou primeiramente detectada durante a gestação.
3% a 7% das mulheres grávidas desenvolvem diabetes mellitus gestacional (DMG) Prevenção • Controle do peso
• Uso con-trolado de açúcar durante a gestação
Fatores de risco
• Obesidade ou sobrepeso
• Histórico familiar de diabetes
• Idade acima de 25 anos
• Síndrome do ovário policístico
• Alimentação inadequada
• Sedentarismo
Possíveis conseqüências, se não for tratado
• Parto prematuro
• Infecções pós-parto
• Hipoglicemia
• Icterícia prolongada
• Sobrepeso do bebê
Diagnóstico • Na primeira consulta do pré-natal, é feita uma dosagem da glicose (de jejum). Posteriormente, entre a 24ª e a 28ª semanas de gestação, a paciente é submetida a um teste mais específico, em que são usados 50 gramas de dextrozol, um carboidrato de rápida absorção, e é medido o nível de glicemia novamente. O nível ideal de glicose para que não haja diagnóstico de diabetes gestacional é de 130 a 140 miligramas por decilitro. Caso a medida seja superior, a paciente é submetida a uma sobrecarga maior – com 75 ou 100 gramas de dextrozol –, e novas dosagens ocorrem na hora, uma hora e duas horas depois. Sintomas • Urinar em excesso
• Sentir muita sede
• Glicose alta (apenas com exame)
Tratamento • O principal tratamento contra o diabetes gestacional é a alimentação adequada. Assim como no diabetes em situações normais, o uso do açúcar e o excesso de carboidratos são contra-indicados. Quando a dieta não é suficiente para manter os níveis de glicose sangüíneo controlados, se recorre ao uso da insulina.

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Saúde Para Todos

Em 17/03/2012, publicado em: Bem Viver, Blog Pharmactiva por

Insônia: dormindo com o inimigo.

“Estudos mostram que mais de 70% das pessoas deprimidas e 25% das excessivamente ansiosas também sofrem de insônia”.

Alessandro Loiola

Um sujeito vai ao médico para se queixar de um grave problema de insônia. – Doutor, toda vez que me deito na cama, acho que tem alguma coisa me ameaçando embaixo. Aí me deito embaixo da cama e acho que a coisa está em cima. Pra baixo, pra cima, pra baixo, pra cima, a noite inteira. Não consigo dormir… será que isso tem cura? O médico rascunha uma meia dúzia de 30 remédios diferentes e sentencia: – Tem, tem cura, mas vai demorar uns dois anos e serão necessárias sessões semanais de R$ 150 cada uma, aqui no consultório. Sem todo aquele dinheiro e ainda mais deprimido do que quando chegou para a consulta, o sujeito desaparece. O médico o reencontra por acaso na rua, vários meses depois. – Rapaz, olha você aí! Não voltou mais… – Ah, doutor, terminei encontrando a solução definitiva para meu problema num bar, por apenas R$ 10. – Como é que é !? – pergunta incrédulo o médico. – Por R$ 10, o sujeito foi lá em casa e cortou os pés da cama… Não recomendo que você vá procurar a cura de todos os seus males em cada barzinho da sua cidade, até porque corre o risco de não existirem barzinhos suficientes, mas também não recomendo que confie o sucesso de sua existência a um punhado de comprimidos escondidos em caixinhas coloridas de papelão. A insônia é um bom exemplo disso. A insônia não é uma doença, mas é extremamente comum. Na maioria dos casos, sinaliza outros distúrbios, como alergias, artrite, doenças cardíacas, hipertensão arterial, asma, doenças reumáticas, Parkinson, Alzheimer e hipertireoidismo. Alterações psicológicas também são uma causa importante: estudos mostram que mais de 70% das pessoas deprimidas e 25% das excessivamente ansiosas também sofrem de insônia. Cerca de 5% das pessoas com insônia apresentam um tipo especial chamado insônia psicofisiológica. Essa forma consiste em um ciclo vicioso, em que uma primeira noite maldormida produz irritabilidade e ansiedade durante o dia, afetando o padrão de sono da noite seguinte, reiniciando então todo o processo. O consumo exagerado de álcool e cafeína responde por 10% a 15% dos casos de insônia psicofisiológica. Independentemente da causa, a insônia pode resultar em dificuldade de concentração, dores de cabeça persistentes, problemas da memória e dificuldade em resolver problemas do dia-a-dia. Estudos recentes mostram que o sono profundo é importante para o aprendizado de habilidades repetitivas, que exigem boa percepção visual, como, por exemplo, digitar, dirigir, manusear máquinas pesadas etc. Diminuir uma ou duas horas de sono por noite já é o suficiente para comprometer sua performance no trabalho. O tratamento da insônia deve ser iniciado pela pesquisa e correção das causas diretas: normalizar a pressão arterial, tratar o hipertireoidismo, a crise de asma, as dores artríticas, a depressão etc. Se você não sofre de nenhuma doença grave e mesmo assim anda se queixando de insônia, o problema provavelmente está em seus maus hábitos na hora de dormir. Nesse caso, o primeiro passo é procurar a farmácia mais próxima e comprar um grande e suculento frasco de vergonha. Tome-o quase todo e ofereça o restinho àquelas visitas que teimam em ficar até mais tarde no domingo. A qualidade do sono depende de atitudes simples, como criar no quarto um ambiente escuro, silencioso e relaxante. Um banho morno seguido de um lanche leve (uma ou duas porções de fruta em vez de 80 quilos de antílope assado com pimenta) ou tomar chás com ervas relaxantes (melissa, valeriana, bupleuro, camomila, erva cidreira) são medidas úteis para chamar o sono. Nos casos mais severos e crônicos, pode ser necessário o uso de sedativos. Entretanto, o organismo ganha resistência com o tempo, solicitando doses cada vez maiores do remédio para obter os mesmos efeitos, aumentando a possibilidade de reações colaterais perigosas. Como essas drogas não curam o problema, a insônia tende a retornar tão logo os medicamentos sejam suspensos. No fim das contas, o segredo para aquele ronco cerrado não está em remédios mirabolantes. A verdadeira solução para a insônia – e tantos outros problemas que lhe afligem – costuma se esconder no velho lugar insuspeito de sempre: dentro da sua cabeça. Ou embaixo da cama.

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