Sistema imunológico ataca juntas, causando dor em decorrência da destruição das cartilagens.

O valor dos novos medicamentos também é uma preocupação. “Eles ainda são muito caros. O infliximabe é mais palpável por ser distribuído pelo Ministério da Saúde, mas existem os que custam até R$ 30 mil.” Além do atendimento médico, é extremamente importante para a reabilitação de quem tem artrite reumatóide o auxílio de fisioterapia, terapia ocupacional, ortopedia e psicologia, que investem na qualidade de vida do paciente. Até mesmo tratamentos alternativos, como acupuntura e homeopatia, especialmente cápsulas de arnica, que atuam como antiinflamatório, vêm ganhando espaço.
A fisioterapeuta Fabrícia Mendes e Silva Narciso explica que a especialidade pode ajudar tanto o paciente que apresenta um processo inflamatório na fase aguda,
quanto aquele em que o processo não ocorreu. “No primeiro caso, a fisioterapia alivia a dor, por meio de recursos elétricos que auxiliam na fase de dores e edemas. No segundo, trabalha-se com atividades físicas, para ajudar na flexibilidade, no fortalecimento muscular e para minimizar a perda do tônus”.

Radiografia de paciente mostra deformidade dos dedos devido à inflamação crônica.

Já a terapia ocupacional procura facilitar a vida de quem apresenta dificuldades em ações do dia-a-dia. A terapeuta ocupacional Christiane Vilela Gonçalves explica que as órteses, dispositivos que auxiliam a função, são fundamentais nesses momentos. “Fazemos adaptação de mobiliários e montamos aparelhos nas mãos de cada paciente, para melhor posicionamento. Tentamos reproduzir ações que fazem parte do seu cotidiano, como digitação ou bordado, para identificarmos qual musculatura precisa ser melhor trabalhada.”
Christiane afirma que o tratamento é bastante individualizado e que uma avaliação criteriosa do paciente deve ser feita sempre. “A hidroterapia, por exemplo, oferece excelentes resultados, porque a água morna traz conforto, aumenta a irrigação sangüínea e possibilita a realizar trabalhos que, fora dela, não seriam possíveis. Porém, tem que haver todo um cuidado, porque a água quente pode provocar ou piorar edemas”, diz.
Para o professor-adjunto de reumatologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Geraldo da Rocha Castelar Pinheiro, tudo isso é muito importante, mas os resultados satisfatórios dependem também de um diagnóstico precoce. “As pessoas ainda demoram a procurar um médico. Quando procuram, vão ao ortopedista, que é um cirurgião e cuida de traumas. Se há dor sem motivos aparentes, como uma queda, o melhor é procurar um reumatologista”.
A repórter viajou a convite do Laboratório Roche.
Saiba mais
• Doença auto-imune inflamatória crônica, na qual o sistema imunológico ataca as juntas, causando inflamação e dor por destruição das cartilagens, prejudicando a função e limitando os movimentos. No Brasil, estima-se que 1 milhão de pessoas tenham artrite reumatóide.
• Surge geralmente depois dos 15 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. É de três a cinco vezes mais comum em mulheres do que em homens, na faixa dos 30 aos 50 anos. Fumantes são quatro vezes mais propensos a desenvolver a doença.
• Os sintomas iniciais são inchaço, dor e rigidez nas juntas, principalmente nas mãos, e fadiga. Em um estágio mais avançado, pode acometer vasos sangüíneos, pele e pulmões. Em geral, o paciente sente como se estivesse enferrujado ao acordar pela manhã, sensação que pode durar mais de uma hora. Pode afetar também tornozelos, joelhos, quadril, pescoço, ombros e cotovelos.

leia mais

O Mal do Inverno

Em 21/03/2012, publicado em: Reumatologia por

Estudo nos EUA pode pôr fim à questão de por que o vírus da gripe se espalha mais na estação fria e seca.

GINA KOLATA
DO “NEW YORK TIMES”

Pesquisadores em Nova York acreditam ter resolvido um dos maiores mistérios sobre a gripe: por que a infecção se espalha principalmente nos meses do inverno. A resposta, dizem, tem a ver com o próprio vírus. Ele é mais estável e fica suspenso no ar por mais tempo quando o tempo está frio e seco. “O vírus influenza é mais propenso a se transmitir durante o inverno quando caminhamos até o metrô do que em uma sala quente”, diz Peter Palese, especialista em gripe do departamento de microbiologia Mount Sinai Medical College e autor principal do estudo. Sua descoberta foi publicada na edição de 19 de outubro da revista científica “PloS Pathogens” (http://pathogens.plosjournals.org).

A idéia para fazer o estudo veio de um trabalho publicado no rastro da pandemia de gripe de 1918, quando médicos quebravam a cabeça para descobrir como e por que o vírus tinha se espalhado tão rapidamente e de forma tão fatal. Desde que a gripe é conhecida as pessoas se perguntam “por que no inverno?”. O próprio nome “influenza” é uma palavra italiana que, alguns historiadores acreditam, originou-se por volta da metade do século 18 de “influenza di freddo” (influência do frio, em italiano).
Nas latitudes mais ao norte a temporada de gripe ocorre de novembro a março, os meses mais frios. Nas latitudes mais ao sul, de maio a setembro. Nos trópicos não chega a ocorrer uma temporada real de gripe. Não há falta de hipóteses para tentar explicar a questão do frio. Alguns dizem que a gripe chega no inverno porque as pessoas ficam trancadas em ambientes fechados. As crianças estão na escola, agrupadas, contraindo a gripe e passando-a para suas famílias.
Outros propõem que a reação imune diminui no inverno porque as pessoas produzem menos vitamina D e melatonina quando os dias são mais curtos. Outros apontam para a direção das correntes de ar na alta atmosfera. Mas muitos cientistas não estão convencidos. “Nós sabemos que um dos fatores majoritários é o das crianças na escola; a maioria das grandes epidemias é rastreada até as
crianças”, diz Jonathan McCullers, médico do Hospital Infantil de Pesquisa Saint Jude, de Memphis. “Mas isso não explica por que no inverno. Não vemos gripe em setembro e outubro [nos EUA]“.
Porquinhos-da-índia
Com relação ao argumento do agrupamento, McCullers diz que “nunca fez sentido”. Pessoas trabalham durante o ano todo e se amontoam em ônibus, metrô e aviões, não importa a estação do ano. Ao ler um estudo publicado em 1919 no periódico científico “Journal of the American Medical Association” sobre uma epidemia de gripe em Camp Cody, no Novo México, ele se deparou com uma passagem chave: “É interessante ver como logo depois de a epidemia de gripe atingir este campo, os porquinhos-da-índia de nosso laboratório começaram a morrer”.
Primeiro, escreveram os autores do estudo, eles achavam que os animais tinham morrido por intoxicação alimentar. Contudo, “uma necropsia em um porquinho revelou sinais inconfundíveis de pneumonia”. Palese comprou alguns porquinhos-da-índia e os expôs ao vírus influenza. Como previa o estudo, eles contraíram gripe e a espalharam entre si. Então, Palese e seus colegas começaram seus experimentos. Umidade e temperatura
Com a variação da temperatura do ar e da umidade nas caixas dos porquinhos, eles descobriram que a transmissão tinha nível ótimo em 5 C. Ela caía conforme a temperatura subia, e aos 30 C nenhum vírus transmitia mais a doença. Os vírus se transmitiam melhor em umidade baixa, 20%, e não se transmitiam mais quando a umidade chegava a 80%.
Os animais também liberavam vírus por dois dias a mais a 5 C do que a uma temperatura ambiental amena de 20 C. Vírus da gripe se transmitiam pelo ar, diferentemente do vírus do resfriado, que, segundo Palese, se transmite sobretudo pelo contato direto, quando pessoas tocam superfícies tocadas por outros com resfriado ou se cumprimentam com um aperto de mãos, por exemplo. Vírus da gripe são mais estáveis no ar frio, e a baixa umidade ajuda as partículas do vírus ficarem em suspensão, porque os vírus flutuam no ar em gotículas emitidas na respiração. Quando o ar está úmido, essas gotículas atraem mais água, crescem e caem no chão.

leia mais