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Eficácia e segurança da naltrexona em baixa dose no tratamento do líquen planopilaris e da alopecia frontal fibrosante.

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    Pharmactiva
  • há 12 horas
  • 6 min de leitura
mulher com mãos nos cabelos

Revisão sistemática recente, aceita no Journal of the American Academy of Dermatology, avaliou a utilização da naltrexona em baixas doses (LDN) nas alopecias cicatriciais do espectro LPP/FFA, compilando 6 estudos e 129 pacientes.



Observou-se melhora consistente de marcadores clínicos e sintomas e os achados sustentam a LDN como adjuvante imunomodulador potencial em protocolos combinados, aguardando confirmação por ensaios controlados.



O problema

O líquen planopilaris (LPP) e a alopecia frontal fibrosante (FFA) constituem alopecias cicatriciais primárias marcadas por inflamação linfocitária perifolicular e destruição progressiva da unidade pilossebácea. A resposta imune anormal promove fibrose irreversível e perda permanente dos fios, impactando qualidade de vida e exigindo intervenção precoce para contenção da atividade inflamatória.


O tratamento visa reduzir inflamação e preservar folículos viáveis, recorrendo a corticosteroides, antimaláricos, retinoides e imunossupressores. Contudo, os resultados são variáveis, e a tolerabilidade é limitada. A recorrência frequente e a ausência de terapias de ação imunorreguladora seletiva sustentam a busca por alternativas mais seguras e com melhor perfil de adesão.


A naltrexona, em doses baixas, apresenta ação imunomoduladora distinta da forma convencional. O bloqueio transitório dos receptores opioides promove aumento de opioides endógenos e inibição da sinalização do receptor Toll-like 4 (TLR-4), com consequente redução de citocinas pró-inflamatórias como TNF-α e IFN-γ. Essa modulação sugere benefício potencial na regulação da inflamação perifolicular típica do líquen planopilaris e da alopecia frontal fibrosante.


Até recentemente, a aplicação clínica da LDN nessas condições baseava-se em observações isoladas e séries pequenas, sem padronização metodológica. A ausência de revisão sistemática limitava o entendimento global da experiência acumulada e impedia a avaliação comparativa de eficácia e segurança.

mulher mexendo nos cabelos

A crescente compreensão dos mecanismos imunometabólicos envolvidos nas alopecias cicatriciais reforça a importância de agentes que atuem modulando vias inflamatórias sem provocar imunossupressão sistêmica.


A naltrexona em baixa dose desponta como uma alternativa farmacológica de baixo custo, administrada por via oral e com perfil de segurança amplamente documentado em outras condições autoimunes. A possibilidade de integração desse fármaco a protocolos combinados, associando imunomodulação sistêmica suave a terapias tópicas ou fotobiológicas, configura uma direção promissora para futuras abordagens personalizadas em dermatologia inflamatória.


Este material visa oferecer ao prescritor uma visão técnica sobre a fundamentação imunobiológica e o enquadramento metodológico da naltrexona, preparando o terreno para análise dos achados clínicos e discussão crítica de potencial como adjuvante terapêutico nas alopecias cicatriciais.



ícone de prancheta

Tipo de estudo:

Revisão sistemática conduzida segundo as diretrizes PRISMA (registro CRD420251017923), com busca estruturada em MEDLINE, Embase e CENTRAL.


Esquema do Desenho e Escopo da Revisão Sistemática:


ícone de pessoas

População-alvo: Pacientes adultos diagnosticados com Líquen Planopilaris, Alopecia Frontal Fibrosante ou formas clínicas sobrepostas, em acompanhamento dermatológico.


ícone de cápsulas

Intervenção investigada: Naltrexona em baixa dose (LDN), administrada por via oral, em uso contínuo. | Comparador: Ausência de comparador direto; os estudos incluídos apresentaram delineamento aberto, com análise intraindividual ou observacional.


ícone de prancheta com checklist

Desfechos avaliados: Atividade clínica inflamatória (índices de eritema, escama e dor), sintomas subjetivos (prurido, queimação, desconforto) e perfil de segurança (eventos adversos relatados e taxa de descontinuação), com duração média de acompanhamento entre 8 e 45 semanas, conforme a população analisada em cada estudo.


Referência: J Am Acad Dermatol. 2025 Sep 3:S0190-9622(25)02712-4. doi: 10.1016/j.jaad.2025.08.076.


Resultados

1) Líquen Planopilaris (LPP)

  • A maior parte dos relatos observacionais descreveu redução gradual de sinais inflamatórios perifoliculares, como eritema e descamação, além de melhora progressiva de sintomas subjetivos como prurido e dor;

  • A resposta clínica ocorreu predominantemente após 12 semanas, mantendo-se estável até o final dos acompanhamentos, e não foram relatadas reativações significativas durante o uso contínuo da LDN.


Desfechos clínicos no Líquen Planopilaris e respectivas implicações

Desfecho avaliado

Variação observada

Implicação clínica

LPP Activity Index

–25,6%

Indica redução da atividade inflamatória global; útil para documentar estabilização clínica e orientar redução progressiva de corticosteroides. Recomenda-se monitorar o LPP-AI de forma seriada para decisões terapêuticas.

Prurido

–35,4%

Melhora sintomática relevante, com impacto positivo sobre o sono e adesão ao tratamento. Pode reduzir a necessidade de anti-histamínicos adjuvantes.

Dor

–66,7%

Alívio do componente nociceptivo e neurítico do couro cabeludo, favorecendo conforto ao pentear e maior tolerância a terapias tópicas.

Queimação

–45,5%

Sugere atenuação da neuroinflamação perifolicular; bom marcador subjetivo de resposta precoce à LDN.

Eritema do couro cabeludo

–29,9%

Redução visível da inflamação local; útil na tricoscopia seriada como indicador de menor atividade perifolicular.

Eritema perifolicular

–3,9%

Queda modesta, sugerindo heterogeneidade de resposta e possível necessidade de terapia combinada ou maior tempo de uso.

Escama perifolicular

–22,6%

Melhora da queratinização do óstio e do microambiente folicular, associada a menor atrito e melhor higiene do couro cabeludo.

Pull test

–26%

Evidência objetiva de menor shedding inflamatório, compatível com estabilização clínica sob monitorização regular.

2) Alopecia Frontal Fibrosante (FFA) e (3) Formas mistas LPP/FFA


  • Observou-se melhora parcial dos sinais inflamatórios locais, incluindo redução de eritema perifolicular, descamação e desconforto cutâneo.

  • A evolução clínica manteve-se uniforme em diferentes faixas etárias, com adesão satisfatória e baixo índice de eventos adversos.


Nos casos com características sobrepostas de LPP e FFA, a dose adotada mostrou-se suficiente para alcançar redução global da atividade inflamatória e do desconforto sintomático, com estabilidade clínica em aproximadamente dois terços dos pacientes. A melhora foi descrita como gradual, porém consistente ao longo de 45 semanas de observação.


Desfechos clínicos na Alopecia Frontal Fibrosante (FFA) e nas formas mistas LPP/FFA

Desfecho avaliado

Variação observada

Implicação clínica

Proporção de pacientes com melhora clínica (FFA)

75% apresentaram resposta positiva após ≈8 semanas de uso

Demonstra janela de avaliação precoce, permitindo definir manutenção ou ajuste posológico em protocolos combinados. Indica início de estabilização inflamatória nas primeiras semanas.

Eritema perifolicular (FFA)

Redução em 50% dos pacientes respondedores

Redução visual de inflamação perifolicular, facilmente observável por tricoscopia. Representa bom marcador de controle da atividade da doença.

Prurido (FFA)

Redução em 37,5% dos pacientes respondedores

Alívio sintomático relevante, favorecendo conforto e adesão ao tratamento, com menor necessidade de terapias antipruriginosas.

Desconforto do couro cabeludo (FFA)

Redução em 12,5% dos pacientes respondedores

Sugere melhora da sensibilidade dolorosa e do componente neuropático associado, importante para o bem-estar geral.

Eritema global (LPP/FFA misto)

–40%

Indica supressão significativa da atividade inflamatória visível, mesmo em casos de sobreposição fenotípica, geralmente mais refratários.

Escala de avaliação médica da FFA (LPP/FFA misto)

–58,3%

Representa melhora clinicamente significativa no julgamento médico global, compatível com estabilização da progressão folicular.

Prurido (LPP/FFA misto)

–31,3%

Diminuição consistente da coceira e irritação cutânea, refletindo menor excitabilidade neuroinflamatória perifolicular.

Dor (LPP/FFA misto)

–66,7%

Alívio expressivo do desconforto e da sensibilidade ao toque, fator determinante para adesão e continuidade terapêutica.

4) Segurança e Tolerabilidade

A naltrexona em baixa dose (LDN) apresenta excelente perfil de segurança, com efeitos adversos leves e transitórios, como sonhos vívidos e cefaleia, geralmente autolimitados e sem necessidade de suspensão. A baixa taxa de descontinuação (<5%) e a ausência de eventos graves reforçam sua boa tolerabilidade e viabilidade de uso prolongado em protocolos dermatológicos, desde que acompanhada por monitorização clínica regular.


Discussão e Implicações Clínicas -

O estudo evidencia que a naltrexona em baixa dose (LDN) apresenta ação imunomoduladora e neuroreguladora consistente em diferentes formas de alopecia cicatricial, reduzindo a inflamação perifolicular e os sintomas sensoriais associados ao Líquen Planopilaris e à alopecia frontal fibrosante. O bloqueio transitório dos receptores opioides, com consequente inibição do TLR-4 e diminuição da liberação de TNF-α e IFN-γ, promove modulação imunológica sem induzir imunossupressão sistêmica, resultando em melhora clínica gradual e sustentada.


Principais pontos clínicos observados:

  • Redução média de 25% no índice de atividade inflamatória (LPP-AI), com estabilização clínica progressiva;

  • Alívio significativo de prurido e dor (reduções de 35% e 66%, respectivamente), melhorando conforto e adesão ao tratamento;

  • Diminuição de eritema e descamação perifolicular, evidenciando controle da inflamação local e reequilíbrio do microambiente folicular;

  • Resposta observada em até 75% dos casos de FFA em 8 semanas, com melhora de eritema e desconforto;

  • Perfil de segurança favorável, com efeitos leves e transitórios e descontinuação inferior a 5%.


Racional farmacológico:

A. Modulação do eixo opioide endógeno: aumento compensatório de β-endorfina, com efeito anti-inflamatório e restaurador da homeostase cutânea;

B. Inibição do TLR-4: bloqueio da ativação microglial e redução de citocinas pró-inflamatórias;

C. Regulação do TNF-α e IFN-γ: atenuação da destruição perifolicular e preservação da unidade pilossebácea.


Implicações para a prática clínica:

O uso adjuvante da LDN representa alternativa racional e bem tolerada em alopecias cicatriciais refratárias;

Permite associação segura com corticosteroides tópicos, antimaláricos e fotobiomodulação;

Recomenda-se introdução gradual e monitorização tricoscópica para avaliar resposta inflamatória;

Aplicável a pacientes com inflamação crônica persistente e intolerância a imunossupressores convencionais.


Limitação do estudo:

Os dados derivam de séries clínicas e estudos abertos, sem grupo controle, limitando a mensuração da magnitude do efeito e a generalização dos resultados. Ensaios controlados e multicêntricos são necessários para confirmar a eficácia e estabelecer diretrizes posológicas padronizadas.


A naltrexona em baixa dose desponta como opção terapêutica promissora para o manejo de alopecias cicatriciais, combinando eficácia imunorreguladora, segurança e boa adesão, consolidando seu potencial como ferramenta adjuvante em dermatologia inflamatória.


média prescrevendo receita

Aviso: Não se auto medique! É fundamental procurar um especialista para receber a orientação adequada e encontrar o tratamento ideal para a sua situação. Cuide-se!

*Consulte um especialista para orientações sobre dosagem e uso seguro de produtos e medicamentos manipulados!



Literatura consultada

Bai JQA, Geng RSQ, Gupta S, Donovan J. The efficacy and tolerability of low-dose naltrexone in the treatment of lichen planopilaris and frontal fibrosing alopecia: A systematic review. J Am Acad Dermatol. 2025 Sep 3:S0190-9622(25)02712-4. doi: 10.1016/j.jaad.2025.08.076. Epub ahead of print. PMID: 40912333.

Departamento Técnico Pharmaceutical Consultoria. 2025 Oct.


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