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Ácido lactobiônico versus ácido mandélico: estudo clínico comprova a necessidade de escolha do peeling conforme a faixa etária.

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    Pharmactiva
  • 21 de jan.
  • 5 min de leitura

sérum

Estudo clínico controlado compara os efeitos do ácido lactobiônico e do ácido mandélico na hidratação e elasticidade da pele feminina, em duas faixas etárias distintas. Avaliação instrumental objetiva revela diferenças relevantes conforme o perfil cutâneo.


A diferenciação do comportamento biológico da pele em diferentes idades exige abordagens específicas. Este estudo traz evidências práticas para aprimorar a escolha do peeling químico, respeitando as necessidades estruturais de cada fase da vida.






O problema

O equilíbrio da hidratação e da elasticidade cutânea é essencial para a manutenção da função barreira, da estética e da saúde da pele. Com o avanço da idade, alterações fisiológicas progressivas comprometem essas propriedades, refletindo-se na diminuição da firmeza, na redução do tônus e na maior vulnerabilidade a processos degenerativos. A compreensão das variações do comportamento cutâneo ao longo da vida é fundamental para o desenvolvimento de protocolos terapêuticos mais assertivos e personalizados.


No contexto dos procedimentos não invasivos, os peelings químicos desempenham papel consolidado na indução controlada da renovação epidérmica e na modulação da matriz dérmica. O ácido mandélico, um alfa-hidroxiácido aromático de elevada tolerabilidade, é amplamente empregado para promover renovação celular, incremento da elasticidade e melhora do viço cutâneo, com risco mínimo de irritação. Sua estrutura molecular e propriedades específicas favorecem sua utilização em diferentes biotipos cutâneos.


Por outro lado, o ácido lactobiônico, representante dos poli-hidroxiácidos, oferece benefícios adicionais relacionados à sua capacidade superior de retenção hídrica e à ação antioxidante. Derivado da oxidação da lactose, esse ativo destaca-se pela capacidade de inibir metaloproteinases de matriz (MMPs), preservar fibras estruturais da derme e atuar de forma gentil, sem risco de fotossensibilização. Essas características posicionam o ácido lactobiônico como uma opção relevante nos protocolos de rejuvenescimento e reparo cutâneo.

Conta gotas

Embora ambos os ácidos apresentem perfil de segurança favorável e reconhecido benefício clínico, ainda existem lacunas na literatura quanto à comparação direta de seus efeitos sobre parâmetros objetivos como hidratação e elasticidade, especialmente em diferentes faixas etárias. A definição de critérios técnicos para a seleção do ácido mais adequado conforme o perfil biológico da pele permanece um desafio prático para prescritores e especialistas em estética avançada.


Protocolos que considerem a idade biológica e a resposta funcional da pele podem maximizar os resultados e reduzir a variabilidade de resposta entre os pacientes.


No presente estudo propõe-se a avaliar comparativamente o impacto do ácido lactobiônico e do ácido mandélico na hidratação e elasticidade da pele facial de mulheres de 30–40 e 50–60 anos, oferecendo evidências científicas que apoiem escolhas terapêuticas clínicas mais precisas e individualizadas.


ícone de prancheta

Tipo de estudo:

Ensaio clínico controlado, prospectivo, randomizado, de grupos paralelos.


Questão de pesquisa (PICO):


ícone de pessoas

População: 80 mulheres saudáveis, divididas nas faixas etárias de 30–40 anos e 50–60 anos, sem contraindicações para procedimentos com ácidos.


ícone de creme

Intervenção: Aplicação de cinco sessões semanais de peeling químico, utilizando ácido lactobiônico 40% (pH 1,9) ou ácido mandélico 40% (pH 1,5), associado ao uso domiciliar de hidratante padrão contendo manteiga de karité, d-pantenol e silicones. | Comparador: Uso exclusivo do hidratante padrão, sem aplicação de peelings químicos, durante o mesmo período.


ícone de prancheta com checklist

Resultados (Outcomes): Primário: Variação dos níveis de hidratação cutânea, avaliada em unidades instrumentais por meio de corneometria (Tewameter® Courage-Khazaka). Secundário: Alteração dos parâmetros de elasticidade cutânea, avaliada em unidades instrumentais por meio de cutometria (Cutometer® Courage-Khazaka).


Referência: J Clin Med. 2025 Feb 27;14(5):1619. doi: 10.3390/jcm14051619.



Resultados

Hidratação – Mulheres de 30 a 40 anos:

• Ácido lactobiônico: aumento médio de +14,11 unidades instrumentais (p < 0,05);

• Ácido mandélico: aumento médio de +6,65 unidades instrumentais (p < 0,05);

• Grupo controle (hidratante): aumento médio de +9,52 unidades instrumentais (p < 0,05).


Em peles jovens, o ácido lactobiônico promoveu maior ganho de hidratação, embora o ácido mandélico também tenha demonstrado benefício relevante.


Hidratação – Mulheres de 50 a 60 anos:

• Ácido lactobiônico: aumento médio de +11,32 unidades instrumentais (p < 0,05);

• Ácido mandélico: sem alteração estatisticamente significativa;

• Grupo controle (hidratante): aumento médio de +3,34 unidades instrumentais (p < 0,05).


Em peles maduras, o ácido lactobiônico foi a única intervenção que promoveu aumento significativo de hidratação, sendo o agente preferencial nessa faixa etária.

Elasticidade – Mulheres de 30 a 40 anos:

• Ácido mandélico: aumento médio de +8,62 unidades instrumentais (p < 0,05);

• Ácido lactobiônico: aumento médio de +5,84 unidades instrumentais (p < 0,05);

• Grupo controle (hidratante): aumento médio de +3,46 unidades instrumentais (p < 0,05).


O ácido mandélico foi superior no estímulo à elasticidade em peles jovens, indicando boa opção para protocolos de firmeza inicial.


Elasticidade – Mulheres de 50 a 60 anos:

• Ácido lactobiônico: aumento médio de +7,39 unidades instrumentais (p < 0,05);

• Ácido mandélico: aumento médio de +6,54 unidades instrumentais (p < 0,05);

• Grupo controle (hidratante): aumento médio de +3,98 unidades instrumentais (p < 0,05).


Ambos os ácidos melhoraram a elasticidade em peles maduras, com ligeira vantagem para o ácido lactobiônico, que também proporcionou aumento de hidratação.

A escolha do peeling químico deve considerar a faixa etária para maximizar hidratação e elasticidade. O ácido lactobiônico é preferencial em peles maduras, enquanto o ácido mandélico mantém seu papel estratégico em peles jovens.


Importância da hidratação e elasticidade na prática dermatológica

  1. A hidratação e a elasticidade cutâneas são parâmetros fundamentais para a manutenção da integridade estrutural da pele e para o sucesso dos tratamentos dermatológicos.


  2. A perda de hidratação compromete a função barreira, favorece o surgimento de linhas finas, aumenta a sensibilidade cutânea e reduz a capacidade de regeneração tecidual.


  3. De forma complementar, a diminuição da elasticidade, decorrente de alterações na matriz extracelular, contribui para a flacidez precoce e para a perda de definição do contorno facial.


  4. Assim, estratégias terapêuticas que visam a preservação e o resgate desses parâmetros impactam diretamente não apenas na estética, mas também na saúde cutânea global.



Por que personalizar o peeling químico conforme a faixa etária?


A personalização da escolha do agente esfoliante deve considerar as características biológicas da pele em cada fase da vida.


1. Em peles jovens, observa-se uma função barreira mais eficiente, produção adequada de componentes da matriz extracelular e maior capacidade de reparo, o que favorece a indicação de ácidos de ação renovadora leve, como o ácido mandélico, visando a melhora da elasticidade e da textura cutânea.


2. Já em peles maduras, as alterações incluem redução de filagrina, perda de ceramidas, diminuição da hidratação natural e fragmentação das fibras colágenas e elásticas, exigindo a utilização de agentes com propriedades hidratantes e antioxidantes superiores, como o ácido lactobiônico.


A escolha adequada do ácido, portanto, potencializa os resultados clínicos e melhora a satisfação terapêutica.

Como interpretar as medidas instrumentais na prática clínica


A mensuração instrumental da hidratação e da elasticidade cutânea oferece um recurso objetivo para a avaliação da resposta aos tratamentos estéticos.


Pequenas variações numéricas obtidas em corneometria e cutometria podem representar ganhos clínicos significativos, como melhora do viço, da textura e da resistência da pele.


Na prática, o aumento da hidratação reflete melhor funcionamento da barreira epidérmica e maior retenção hídrica, enquanto a elevação da elasticidade sugere melhora na organização das fibras estruturais dérmicas.


Incorporar a avaliação instrumental na rotina permite ajustes mais precisos dos protocolos e favorece uma abordagem personalizada, orientada por evidências.



Literatura consultada

Warowna M, Strzelecka A, Kręcisz B. Influence of Lactobionic Acid on Hydration and Elasticity Parameters in Women Aged 30-40 and 50-60 Years in Comparison to Mandelic Acid. J Clin Med. 2025 Feb 27;14(5):1619. doi: 10.3390/jcm14051619.

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