Carvedilol em baixa dose: inovação no tratamento da rosácea.
- Pharmactiva
- há 3 dias
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Estudo destaca a eficácia do carvedilol na redução do eritema facial e no alívio dos sintomas de ansiedade e depressão em pacientes com rosácea, oferecendo uma abordagem terapêutica abrangente que melhora tanto os sintomas cutâneos quanto as comorbidades emocionais.
Esta descoberta promete revolucionar o manejo clínico da rosácea, proporcionando alívio dos sintomas e melhor qualidade de vida aos pacientes.
O problema
A rosácea é uma doença inflamatória crônica marcada por flushing recorrente e eritema, frequentemente com pápulas, pústulas, alterações fimatosas, e ocasionalmente envolvimento ocular. É classificada em quatro subtipos [rosácea eritematotelangiectática (ETR), rosácea papulopustular (PPR), rosácea fimatosa (PHY) e rosácea ocular (OR)], sendo a ETR a mais comum. Os sintomas mais prevalentes, como o eritema persistente e o flushing, afetam negativamente a qualidade de vida dos pacientes, tornando o tratamento um desafio clínico. O flushing geralmente é o primeiro sintoma, inicialmente transitório, mas pode evoluir para uma vermelhidão persistente na região central do rosto.
O estresse psicossocial está ligado ao desenvolvimento da rosácea. Esses problemas podem agravar doenças mentais como ansiedade e depressão, criando um ciclo vicioso com a rosácea. Estudos mostram que o estresse psicossocial desestabiliza o sistema imunológico, liberando fatores inflamatórios que contribuem para a rosácea. Estudo mostrou que níveis elevados de monócitos clássicos e de fatores inflamatórios (IL-1β e TNF-α) em pacientes com rosácea indicam que problemas psicossociais podem desregular o sistema imunológico e estar envolvidos na patogênese da rosácea.
A brimonidina tópica, um agonista dos receptores α-adrenérgicos aprovado pela FDA para o tratamento da rosácea, visa induzir vasoconstrição direta das pequenas artérias e veias para reduzir o eritema persistente e o flushing, mas com eficácia clínica limitada. Além desta, não há outros medicamentos aprovados devido ao mecanismo obscuro da rosácea, criando uma necessidade urgente de tratamentos mais eficazes.

O carvedilol, um β-bloqueador não seletivo, é usado para tratar hipertensão e insuficiência cardíaca. Estudos mostram que ele pode regular a saúde mental e o sistema imunológico, além de reduzir distúrbios do sono e pesadelos em baixas doses.
Estudos indicam que o carvedilol pode reduzir o eritema relacionado à rosácea, inibindo o inflamassoma NLRP3 e a expressão de TLR2 em macrófagos, atuando como agente anti-inflamatório. Além disso outro estudo revelou que o carvedilol diminui a frequência de monócitos clássicos e os níveis de fatores inflamatórios¹.
Dada a capacidade do carvedilol de regular a saúde mental e o sistema imunológico, este paper aborda um estudo que avalia a eficácia do carvedilol no tratamento do eritema persistente e do flushing em pacientes com rosácea eritematotelangiectática, especialmente aqueles com ansiedade¹.

Tipo de estudo:
Ensaio clínico randomizado.
Questão de pesquisa (PICO):

População: 145 pacientes com rosácea eritematotelangiectática (ETR) com flushing facial e eritema persistente, sem lesões papulopustulares.

Intervenção: A intervenção principal do estudo foi a administração de carvedilol oral por um período de 10 semanas. | Comparador: O grupo comparação utilizou brimonidina tópica por um período de 10 semanas.

Resultados (Outcomes): Os desfechos primários do estudo incluíram melhora do eritema, definida como redução de mais de 90% na avaliação do eritema pelo clínico (CEA) e pela autoavaliação do paciente (PSA) na semana 10. Os desfechos secundários incluíram a avaliação da qualidade de vida específica para rosácea (RosaQoL), transtorno de ansiedade generalizada (GAD-7), questionário de saúde do paciente (PHQ-9), sinais vitais e formulário de avaliação de sintomas (SAF).
Referência: J Dermatol. 2022 Nov;49(11):1139-1147. doi: 10.1111/1346-8138.16525.
Resultados¹:
O tratamento com carvedilol resultou em melhora significativa no eritema e na sensação de queimação/ardência em comparação com a brimonidina tópica. Houve redução evidente nos escores de autoavaliação do paciente (PSA) e avaliação clínica do eritema (CEA) no grupo carvedilol durante as 10 semanas de tratamento e no acompanhamento de 6 semanas (p < 0,0001).

Fotografias de três pacientes com ETR, a primeira tratada com brimonidina tópica e as outras duas com carvedilol, ao longo de diferentes períodos: linha de base (início), 10 semanas de tratamento e 16 semanas (6 semanas após o término do tratamento).
A imagem ilustra a eficácia superior do carvedilol em comparação a brimonidina tópica na redução do eritema facial em pacientes com ETR. O carvedilol não só melhorou significativamente o eritema durante o período de tratamento, mas também manteve esses benefícios após a interrupção do tratamento.

A imagem mostra quatro gráficos comparando a eficácia do carvedilol e da brimonidina tópica no tratamento de ETR ao longo de 16 semanas. Os gráficos representam as avaliações de eritema clínico (CEA), autoavaliação do paciente (PSA), sensação de queimação e ardência.
O carvedilol é significativamente mais eficaz do que a brimonidina tópica na redução do eritema (CEA e PSA) e na diminuição das sensações de queimação e ardência em pacientes com ETR. Os efeitos benéficos do carvedilol foram rápidos, sustentados ao longo do tempo e mantidos após a interrupção do tratamento, destacando sua superioridade como opção de tratamento;
O carvedilol reduziu significativamente as pontuações de ansiedade (GAD-7) e depressão (PHQ-9) em comparação a brimonidina tópica (p < 0,001). Essas pontuações estavam correlacionadas com a gravidade do eritema (CEA e PSA) no início do estudo e mostraram melhora associada à redução do eritema durante o tratamento com carvedilol. Isso indica uma forte relação entre a gravidade do eritema e o estado de ansiedade e depressão em pacientes com rosácea;

Os gráficos comparam os efeitos do carvedilol e da brimonidina tópica nas pontuações de ansiedade (GAD-7) e depressão (PHQ-9) ao longo de 16 semanas em pacientes com ETR.
***p<0,001 comparação entre os grupos.
Na análise de subgrupos, o tratamento com carvedilol mostrou melhores resultados em pacientes com menos de 30 anos. Esses pacientes apresentaram maior melhora nos escores de avaliação clínica do eritema (CEA) e de autoavaliação (PSA), além de uma redução mais significativa nos escores de ansiedade (GAD-7) em comparação aos pacientes acima de 30 anos (p < 0,05). A melhora no escore de depressão (PHQ-9) também foi maior, embora não tenha atingido significância estatística.
Uma paciente de 36 anos com rosácea e telangiectasia central facial persistente por mais de 3 anos inicialmente recebeu minociclina por 4 semanas, mas desenvolveu pigmentação facial grave. Após a descontinuação da minociclina por 2 meses, seu tratamento foi alterado para carvedilol. Em 4 semanas, houve melhora significativa no eritema e na pigmentação. Além disso, a telangiectasia visível também diminuiu, surpreendendo positivamente os pesquisadores.

O tratamento com carvedilol melhorou drasticamente a telangiectasia, o eritema e a pigmentação.
Fotos de uma mulher de 36 anos com rosácea antes do tratamento (topo); fotos na semana 4 após o tratamento de 4 semanas com minociclina (meio); fotos na semana 16, após um período de washout de 8 semanas (baixo).
O carvedilol foi bem tolerado pelos pacientes, com efeitos adversos menores e menos frequentes em comparação com a brimonidina tópica. A brimonidina tópica, embora eficaz para alguns sintomas, apresentou maior incidência de efeitos adversos, incluindo irritação local e eritema de rebote, resultando em taxa de descontinuação mais alta.
O carvedilol é uma opção terapêutica eficaz para rosácea eritematotelangiectática, especialmente no tratamento do eritema facial persistente, com melhora significativa no eritema, ansiedade e depressão, sem efeitos adversos graves.
O carvedilol pode interromper o ciclo entre rosácea e distúrbios de saúde mental, possivelmente bloqueando a via β-adrenérgica e reduzindo a neuroinflamação¹.
MECANISMO DE AÇÃO DO CARVEDILOL¹:
O carvedilol melhora sintomas de ansiedade e depressão comuns em pacientes com rosácea, o que pode reduzir a gravidade do eritema facial. Como β-bloqueador, diminui a excitabilidade do sistema nervoso simpático, reduzindo a inflamação neurogênica. Além disso, o carvedilol reduz a ativação de monócitos clássicos e os níveis de fatores inflamatórios (CCR2) em pacientes com rosácea, bloqueando a sinalização β-adrenérgica e diminuindo a neuroinflamação. Esses mecanismos combinados ajudam a tratar eficazmente a rosácea.

Aviso: Não se auto medique! É fundamental procurar um especialista para receber a orientação adequada e encontrar o tratamento ideal para a sua situação. Cuide-se!
*Consulte um especialista para orientações sobre dosagem e uso seguro destes medicamentos manipulados!
Cápsulas de carvedilol
Carvedilol
Administrar duas doses ao dia.
---- OPÇÕES TÓPICAS PARA ROSÁCEA ----
Gel de brimonidina
Brimonidina
Gel base qsp
Aplicar nas áreas afetadas uma vez ao dia.
Espuma de ácido azeláico
Ácido azeláico
Espuma base qsp
Aplicar nas regiões afetadas duas vezes ao dia durante 12 semanas.
Após 12 semanas, 62,2% dos pacientes tratados com ácido azeláico apresentaram melhora excelente em comparação a 45,4% no grupo veículo².
Literatura consultada
1. Li J, Tang JY, Fu J, Zhang MW, Wan M, Chen DW, Chen QQ, Li X, Song GJ, Ni RR, Song ZQ. Carvedilol ameliorates persistent erythema of erythematotelangiectatic rosacea by regulating the status of anxiety/depression. J Dermatol. 2022 Nov;49(11):1139-1147. doi: 10.1111/1346-8138.16525.
2. Draelos ZD, Elewski B, Staedtler G, Havlickova B. Azelaic acid foam 15% in the treatment of papulopustular rosacea: a randomized, double-blind, vehicle-controlled study. Cutis. 2013; 92(6):306–317.
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